2019- O falso ano do empoderamento e do politicamente correto.

Começo este texto tentando explicar o que foi de mais difícil solução no meio político e social no Brasil.

Deixando de lado especificamente as batalhas políticas entre os três poderes da Nação, e os embates travados entre a presidência da república e os meios de comunicação, vamos nos ater ao que de fato aconteceu no meio social, principalmente entre nós e eles.

2019 foi marcado pelo “politicamente correto” que é usado para descrever a eliminação de linguagem ou ações que são vistas como excludentes, que marginalizam ou insultam grupos de pessoas que são vistos como desfavorecidos ou discriminados, especialmente grupos definidos por sexo ou raça.

Ao mesmo tempo, enquanto o politicamente correto era ornamentado por figuras consideradas formadoras de opinião, do outro lado da camada social, ativistas recém lançadas ao ar, reforçavam a causa do “empoderamento”, a mesma que propõe a ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política.

Vale destacar aqui a “aquisição da emancipação individual”, e a “superação da dependência social e dominação política”.

Poderíamos até resumir o politicamente correto, e o tal empoderamento, como uma proposta de vida, onde grupos considerados desfavorecidos ou discriminados, estariam tentando viver de uma forma a se libertar das regras sociais e políticas, para atingir uma emancipação social.

Estaríamos errados se considerássemos esta tendência, como uma maneira de se viver cada um para si, e por conta própria?

Onde ficariam as leis, e para que serviria a nossa constituição, que mesmo não sendo das melhores, é a única que acaba regendo o convívio em sociedade?

Esta conduta tão evidenciada pelos meios de comunicação, como também por aqueles que se elegem lideres ativistas, acabou por abrir fissuras que certamente não irão cicatrizar, e pior, que irão sacramentar a divisão do nós contra eles.

O Art. 5º da Constituição diz: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…

Oras; com tanta clareza descrita no Artigo 5, não seria mais fácil então faze-la cumprir com o que está escrito? Não seria mais fácil então punir aos que se atrevem a descumprir o que propõe a Lei, principalmente no que diz respeito ao direito à vida, a liberdade, e segurança?

Para entender porque então, uma camada da sociedade preferiu percorrer um caminho novo, temos sim que apontar o dedo para os anos de governo petista, que cumpriu a desastrosa tarefa de minar o conceito de vida em grupo, onde todos aqueles que se sentiam prejudicados de alguma forma, procuravam seus direitos na forma da lei.

Todos certamente dirão que a lei nunca atendeu aos mais fracos e necessitados, e mesmo concordando, prefiro acreditar que seria melhor lutarmos para fazermos de nossa Carta Magna, nossa arma de destruição dos que teimam em destruí-la.

A lei serve para todos, e sem ela, vivemos cada um para si e Deus para todos, e hoje sabendo que nem para todos, Deus é o caminho a seguir, certamente sem a lei, viveremos um salve-se quem puder.

De certa forma todo este contexto serve para mostrar o porquê certa parte da condução política no Brasil foi tão difícil e conturbada, pois para cada ato, para cada lei, fomos obrigados primeiramente a observar se aquilo atendia corretamente “certas camadas sociais”, mesmo em detrimento a outras que não fazem tanto barulho.

Por conta do politicamente correto, nosso presidente foi escrachado por repórteres que nem de perto seguiam o mesmo conceito, e que mesmo corrompendo, ou até mesmo roubando, certos políticos eram até agraciados com entrevistas em horário nobre, por saberem ser politicamente corretos com as câmeras e todos os holofotes que a fama pode trazer.

Vivemos socialmente uma mentira em 2019, onde todos, ao chegarem no dia de hoje, vão se congratular, mesmo jogando seus erros para debaixo do tapete, e com sorrisos e afagos, em pensamento se prometem duelar no ano que se aproxima, para firmar suas ideologias.

O politicamente correto nos tornou pessoas falsas, fúteis, que só são bem vindas quando aderem as mesmas causas, pois se tentarem ser contra, já se transformam em inimigos vorazes.

Não foi a direita que criou estas regras, não foram os conservadores que criaram esta separação, não fomos nós que criamos o dia disto, ou o dia daquilo, para fortalecer a imagem das diferenças, pois um dia especial serve somente para lembrarmos de algo ou alguém, que deixou de ser comum, ou seja; de alguém diferente.

Éramos felizes e não sabíamos, pois convivíamos em sociedade, com todas as nossa características e diferenças, e nem por isto nos digladiávamos diante de um ponto divergente, somente trocávamos ideias, pois sabíamos que todo nós éramos iguais perante a lei.

Perfeição nunca houve e nunca haverá, porém o bom convívio social, é o que nos torna seres racionais, e como qualquer cidadão, temos que observar que a razão está nas leis, e não no individualismo, não na tentativa de se libertar das regras sociais e políticas como prega o empoderamento.

Abaixo o politicamente correto, e viva a todas as nossas diferenças, para que 2020 deixe de ser um ano de falsidades, e seja nossa redenção social.

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